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segunda-feira, 2 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27785: Documentos (62): A retirada de Madina do Boé: a jangada - Parte I (Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, Pel Rec Inf, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Foto nº 1 > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > s/d > A legenda, sucinta, só diz "Eduardo Figueiredo, 19 ??. Guiné - Rio Corubal - Desastre"... A legenda deve ser da responsabilidade do coordenador, Henrique Oliveira. deste projeto comunitário, Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, alojado na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE).   
 
Vejamos a legenda mais detalhada, da responsabilidade do autor da foto, Eduardo Figueiredo:

"A história é bem conhecida, mas esta foto não. Trata-se das duas canoas gigantes sobre as quais se construiu a famigerada jangada que se virou na retirada de Madina do Boé da nossa Companhia de 1790 do meu Batalhão 1933.

Acontece que foi o meu pelotão (Reconhecimento e Informações-Ranger) quem fez a segurança no abate, construção e transporte (aqui na foto), até à margem do Corubal, para se construir a nova jangada para a cambança e seguir para Madina do Boé.

Continuo adepto da versão do desastre que vivi. A jangada trazia uma GMC carregada ao centro e filas de pessoal de cada lado. Escutaram-se rajadas de metralhadora dum lado. Esta era uma tropa causticada com ataques, em parte devido à proximidade com a fronteira, mas também devido à muito discutível escolha do local para o aquartelamento.

Ao ouvir os tiros, quem estava do lado donde pareciam vir, correu a refugiar-se do outro lado, atrás da GMC. Gerou-se um desequilíbrio na jangada, a GMC deslizou para o lado mais pesado, e a jangada virou-se. Deus tenha na sua paz os meus camaradas que lá morreram (e os que lá ficaram)."

(Esta versão não corresponde à de quem viu e viveu o acontecimento, no Cheche, em 6/2/1969, como o Hilário Peixeiro, o Paulo Raposo, o Rui Felício, ou o José Aparício, testemunhos já anteriormente publicados. O Eduardo Figueiredo não estava lá. LG)



Foto nº 2 > Bissau > 1968 > "Quando o batalhão do Eduardo Figueiredo (E. F.) mudou de Nova Lamego para S. Domingos, houve um ou dois dias de permanência em Bissau. A pedido de E. F., sua mãe deu uma festa no terraço… Da esquerda  para a direita: Eduardo Figueiredo, de pé; à direita, o furriel Assis, primo do Assis Pacheco, que está em Lisboa num Banco; à esquerda, o Barros, hoje Professor de teatro em Almada. Era um pelotão Pel Rec Inf, ou seja, de Rangers de Lamego."


Foto nº 3 > Guiné  > Bissau > 15/10/1968> "Pátio da casa do autor da fotografia, em Bissau"


Foto nº 4 > Guiné > Bissau > 15/10/1968> Bissau > "Ilhéu do Rei, ao fundo"


Foto nº 5> Guiné > Bissau > 15/10/1968 > Bissau > "O porto velho chamado Pjiguiti, que foi o sítio onde ocorreu a 1ª revolta dos estivadores, já relacionada com a agitação que antecedeu a guerra colonial"

Fotos alojadas em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A jangada que esteve na origem do desastre do Cheche, no rio Corubal, na antiga Guiné Portuguesa, em 6/2/1969, era constituída por um estrado assente em "três canoas gigantes"... A anterior era assente só em duas canoas... Possivelmente essas canoas seriam as duas  que a foto mostra.

A foto, rara, preciosa, é do Eduardo Figueiredo (ou Eduardo M. M.  Figueiredo), ex-alf mil op esp / ranger, cmdt, Pel Rec Inf / CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), que o nosso camarada Virgílio Teixeira deve ter conhecido, já que ele foi chefe do Conselho Administrativo do Comando daquele batalhão. Portanto, estiveram juntos em Nova Lamego e em São Domingos, ele e o Eduardo.  E terão vindo e regressado juntos, no mesmo navio T/T.

Não temos um exemplar, aqui à mão, da História da Unidade para confirmar o seu nome e o seu posto  mas sabemos que o Eduardo Figueiredo tinha casa em Bissau, e deixou-se fotografar com alguns camaradas do seu Pel Rec Inf, na sua casa, ou casa de sua  mãe em Bissau (Foto nº 2) (pela imagem vê-se que é alferes),

Nessa época, os Pel Rec Inf, que faziam parte das CCS (Companhias de Comando e Serviço) eram estruturas leves, com um alferes miliciano, 2 fur mil, 5 primeiros cabos e 5 soldados (com a especialidade Exploradores e Observadores), num total de 13 elementos.

A data da foto nº 2 deve ser de fevereiro de 1968, quando o BCAÇ 1933 regressou a Bissau, vindo de Nova Lamego, para ir, um mês e tal depois, assumir a responsabilidade do setor de São Domingos, na Zona Oeste.  

As restantes fotos de Bissau (fotos nºs, 3, 4 e 5) têm já data posterior (15/10/1968).

Em conclusão, em 6/2/1969, aquando do desastre do Cheche, tanto o Eduardo Figueiredo como o seu Pel Rec Inf / CSS / BCAÇ 1933 já há estavam em São Domingos há mais de 10 meses. 


2. Sabemos, pela ficha de unidade, que o  BCAÇ 1933 chegou a Bissau no princípio de outubro de 1967  (tendo regressado a casa em agosto de 1969, depois de terminada a comissão de serviço).

(i) após sobreposição com o BCav 1915 assumiu, em 110ut67, a responsabilidade do Sector L3, com sede em Nova Lamego e abrangendo os subsectores de Bajocunda, Buruntuma, Canquelifá, Piche, Pirada, Madina do Boé e Nova Lamego;

(ii) de 230ut67 a 04Dez67, foi criado o subsector temporário de Canjadude, a fim de incrementar o patrulhamento e contacto com as populações daquela área;

(iii) desenvolveu intensa actividade de patrulhamento da fronteira, do controlo dos itinerários, de melhoramento das condições de defesa dos aquartelamentos e de tabancas em autodefesa e de acções ofensivas sobre os grupos inimigos infiltrados na área;

(iv) em 21Fev68, foi rendido no sector pelo BCaç 2835, recolhendo a Bissau, onde se manteve aguardando colocação:

(v) em 02Abr68, rendendo o BCaç 1894, assumiu a responsabilidade do Sector O1-B, a partir de 040ut68, designado Sector O6, com sede em S. Domingos e abrangendo os subsectores de Ingoré, Susana, S. Domingos e Barro, este foi transferido para o COP 3 em 01Set68;

(vi) nesta situação desenvolveu intensa actividade operacional de patrulhamento, emboscada e acções ofensivas sobre as linhas de infiltração inimigas de Campada, Barraca e Canja, executando ainda acções ofensivas com vista a impedir a instalação de bases inimigas, promovendo e coordenando a autodefesa
das populações e da acção psicossocial e garantindo o controlo e segurança dos itinerários;

(vii) em 01Ag069, o batalhão foi rendido no sector pelo BCav 2876, recolhendo a Bissau para  embarque.

3. Entretanto, a CCaç 1790 (comandada pelo cap inf José Ponces de Carvalho Aparício) seguiu imediatamente para Fá Mandinga, onde realizou o treino operacional na região de Xitole, sob orientação do BCaç 1888, sendo-lhe atribuída a missão de força de reserva do Comando-Chefe, de 270ut67 a 16Nov67, tendo actuado em operações nas regiões de Sinchã Jobel e Caresse, em reforço do BCav 1905 e na região de Poidom, em reforço do BCaç 1888. 

Em 16Nov67, passou a força de reserva do CTIG, com sede em Bolama e depois em Bissau, tendo realizado outras operações na região de Poidom, em reforço do BCaç 1888 e na região de Porto Gole, em reforço do BCaç 1912.

Em 08Jan68, assumiu a responsabilidade do subsector de Madina do Boé, com um destacamento em Béli, de 09Fev68 a 15Jun68, inicialmente na dependência do seu batalhão ( o BCAÇ 1933) e depois do BCaç 2835.

Em 06Fev69, após extinção do subsector de Madina do Boé em 04Fev69, com a consequente evacuação do aquartelamento, foi colocada em Nova Lamego, onde substituiu a CCaç 2403 na função de intervenção e reserva do sector do mesmo BCaç 2835, com vista à realização de patrulhamentos, escoltas, acções ofensivas e reforço da guarnição da respectiva zona de acção, após o que
recolheu, transitoriamente, a Bissau, em 20Abri69.

Em 07Mai69, rendendo a CArt 1744, assumiu a responsabilidade do subsector de S. Domingos, integrando-se no dispositivo e manobra do seu batalhão.

Em 01Ag069, foi rendida pela CCav 2539 e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.


4. A data da foto nº 1 só pode ser de inícios de janeiro de 1968 ou do 1.º trimestre desse ano, quando a CCAÇ 1790 / BCAÇ 1933 passou a assumir a responsabilidade do subsetor de Madina do Boé (com um destacamento em Béli). 

Nessa altura, sim, a jangada do Cheche assentava em duas canoas. Seria mandada fazer uma  nova jangada, assente em 3 canoas (semelhantes às da foto nº 1),  para efeitos da retirada de Madina do Boé (Op Mabecos Bravios).  E foi essa jangada que causou   (ou esteve na origem de) o desastre do Cheche em 6/2/1969.

De qualquer modo, a foto nº 1 dá-nos uma ideia do comprimento e largura das canoas usadas para construir as duas jangadas do Cheche. A última, composta por 3 canoas,  com capacidade carga de 10 toneladas, segundo o testemunho do comandante da Op Mabecos Bravios. Vamos submeter a uma ferramenta de IA a foto nº 1  para fazer esses cálculos: 
  • (i) comprimento e largura da última jangada;
  •  e (ii) nº de militares que poderia levar em condições normais de segurança, na travessia daquele troço do rio Corubal que não teria mais de 140/150 metros de largo, no tempo seco (fevereiro de 1969).
(Continua)

(Revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
_______________

Nota do editor LG:

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27561: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (14): Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)


Fonte: Gemini (Modelo Flash 2.5). [Boas festas 2025/26] Imagem gerada por Inteligência Artificial, 22 dez 2025, sob orientação do editor LG.


‪‪‪‪1. Mensagem natalícia  de Virgílio Teixeira‬‬‬‬, Vila do Conde:


Data - segunda feira, 22 de dezembro de 2025, 10:38 
Assunto - Boas festas

Luis,  bom dia.
 
Junto a minha mensagem e prova de vida nesta época natalícia.

Tenho visto diariamente as bonitas e sentidas mensagens de outros nossos grão-tabanqueiros, com espírito e habilidades poéticas e uso de tecnologias. Não comento porque no meu PC dá sempre erro.
Mas acompanho tudo.

Não sou grande cliente das festas Natalícias e de Ano Novo, mas vou tentando manter as tradições.
É uma época de grande consumismo e isso contribuiu para a minha descrença. 

Em tudo o que é comunicação social, milhões de anúncios com grandes ofertas Natalícias. E aqueles que sofrem, que não têm família, doentes, abandonados sem teto, como esse que hoje vi,  de um homem sem abrigo no primeiro dia de inverno a dormir debaixo de uma ponte à margem do Rio Nabão. em Tomar.

No meu tempo de criança havia o Menino Jesus e o presépio feito com musgo apanhado nos campos ou nas paredes frias e húmidas, com peças baratas dos Reis Magos.

Hoje a toda a hora somos doentiamente torturados com 'peças Televisivas com caras de gente sem vergonha mostrando e ostentando aquilo que só alguns conseguem atingir! E os seres humanos sem abrigo, sozinhos como este que reportei que é uma amostra dos cerca de 15000 que existem segundo um estudo publicado?

Por isso, eu prescindo cada vez mais desta época de consumismo exarcebante que dá dó ver a cada minuto.

Lamento esta forma de pensar, mas é assim que vejo as coisas.

Para todos um Bom Natal e um próximo Bom Ano para aqueles que lá chegarem.

Saúde acima de tudo com amor e paz.
Virgílio Teixeira

PS- Porque não tenho grandes habilidades para construir um postal, pego na imagem da Lua cheia em novembro de 1968 em São Domingos, que mandei à minha namorada de então e hoje minha mulher. E uma imagem fotográfica que recebi de um familiar numa viagem ontem na zona de Trás os Montes, a primeira neve, nevão (e uma saraivada que apanhei em Vila do Conde que não via há décadas).
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domingo, 30 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27478: Notas de leitura (1869): "A Mais Breve História do Ultramar", de David Moreira (Porto, Ideias de Ler, 2025) (Virgílio Teixeira, Vila do Conde) - Parte I



Capa do livro de David Moreira, "A mais breve história do Ultramar". (Porto, Ideias de Ler, 2025, 2025, 308 pp, ISBN: 978-989-740-410-8) (Prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa).
 

Sinopse:

Sabia que em São Tomé havia uma tortura inútil que consistia em forçar homens acorrentados a retirar água do mar utilizando baldes? Ou que em Macau, durante a Segunda Guerra Mundial, se vendiam tigelas de caldo de carne humana? Tudo isto acontecia em Portugal, que então ia «do Minho a Timor».

A Mais Breve História do Ultramar distingue-se de outros trabalhos sobre o tema por ser ideologicamente descomprometido, bibliograficamente rico e temporalmente amplo: vai do mapa cor-de-rosa à descolonização; tanto dá voz a poetas africanos como à elite portuguesa. David Moreira consegue assim uma análise sóbria e arejada da gestão das ex-colónias – ora esquecidas e desconsideradas, ora tidas como um pilar da nossa independência e identidade.

Sobre o Autor:

David Moreira, portuense nascido em 1993, é mestre em História das Relações Internacionais pela London School of Economics — tendo-se especializado na Guerra Colonial na Guiné-Bissau — e licenciado pela Università Bocconi, onde estudou Economia Internacional, Gestão e Finanças. Foi professor de Economia no Colégio Luso-Internacional do Porto e é DJ de música eletrónica. É também um acérrimo defensor da libertação da Palestina. ( Fonte: Ideia de Ler.)




Dedicatória do autor ao Virgílio Teixeira



Virgílio Teixeira, ex-alf 
mil SAM,. CCS/BCAÇ 1833
(Nova Lamego e São Domingos, 1967/69);
natural do Porto, vive em Vila do Conde

1. Mensagens do Virgílio Teixeira, com datas de 28 de setembro e 2 de outubro de 2025.

Luis, bom dia

O autor ofereceu-me este livro, "A Mais Breve História do Ultramar". Tem prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa.

Já li um pouco, a minha filha  mais velha foi à apresentação do livro  Não conheço o autor, é filho de uma amiga da minha filha, que lhe entregou um exemplar com uma dedicatória para mim.  É filho de Rui Moreira, antigo presidente da CM Porto.

 Já vi que trata  de todo o percurso da nossa guerra e o fim de tudo. Não faz referências a unidades, operações, etc com algumas excepções.

Era bom para o Beja Santos escrever sobre ele!. Vou ler até ao fim pois ele aguarda o meu feedback.

 Só o recebi em 27set25. Já li algumas coisas, mas tudo escrito pela 'rama', é mais um resumo de vários séculos,  e não entra em nenhuns pormenores, que interessem à maioria dos nossos grão-tabanqueiros.

Para mim, dizendo francamente e sem retirar os méritos do autor, que deve ter tido algum trabalho de´sapa' para referir tantas coisa, não me diz quase nada, e já conheço a maioria.

Trata-se de mais uma história abrangente que começa no século XVIII, e por aí fora... mas mais para ensinar os seus alunos.

Faz uma excelente descrição desde o fim da monarquia e passagem à República e depois ao Estado Novo e por aí fora.
 
Fiquei a conhecer como foi a conquista da África portuguesa, as guerras que se passaram por um mundo que a maioria não conhece. Estou a ficar obcecado com tudo, mesmo que tudo seja dito em poucas palavras.

Livro útil para aqueles que nem sabem o que foi o nosso Império Africano e de todos os lados do mundo. Tantos nomes aqui apresentados, que todos vimos por aí na toponímia das cidades, e que, eu pelo menos, não sabia o seu papel na construção daquilo que foi o nosso Império.

Faz as passagens das guerras em Moçambique e Angola no século XIX que desconhecia na sua maioria.

Uma obra bem concebida, rápida como diz o título, mas que penso não ser  compreensível para a juventude e  as pessoas de meia idade, que não sabem o que foi a guerra do Ultramar. 

No que respeita à nossa Guiné (1961-1974),  pouco diz. Refere em resumo alguns acontecimentos, e para cada um não preenche mais do que meia- dúzia de linhas, sem nenhuns pormenores, para os leigos que nada sabem:

- a Ilha do 'Como', que me parece foi uma operação "turra" de alta envergadura e em que eles ocuparam este ponto estratégico;

- seguidamente a nossa grande operação 'Tridente' em  que tomámos a ilha  aos "turras" com grandes perdas para eles;

- o pesadelo do Cheche (travessia do Rio Corubal) onde perdemos  46 militares metropolitanos , dos quais 23 do meu batalhão,  e 1 civil, guineense): foi  um acidente e uma má estratégia de Spínola, sem o autor referir porquê;

- mais uma ligeira referência, ao Spinola e outras figuras pós-25A.

Ainda bem li metade... Vou continuar a ler e fazer comentários.

Obrigado
Ab
Vt
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Nota do editor LG:

Último poste da série >  28 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27473: Notas de leitura (1868): Uma publicação guineense de consulta obrigatória: O Boletim da Associação Comercial, Industrial e Agrícola da Guiné (2) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27343: S(C)em Comentários (79): Das "Vinhas da Ira" às "sopas de cavalo cansado", passando pelos verdes que me faziam azia... Tudo isto para dizer que prefiro...os maduros (Virgílio Teixeira, Vila do Conde)


O vinho verde branco "Camperlo" que também se
bebia em Bissau (passe a pblicidade...). 
Foto: Vt (2025)


1. Comentário (e fotos) do Virgílio Teixeira, ao poste P27280 (*)



As Vinhas da Ira. Romance de John Steinbeck, Escrito em 1939. A sua obra-prima. Adaptado ao cinema, surge o filme em 1940, dirigido por John Ford, com Henry Fonda como principal protagonista. Vi este filme ainda com 10 a 12 anos. Nunca o esqueci.

Dei este titulo ao comentário por me fazer lembrar as vinhas,  os vinhos e as bebedeiras....

O Luis fala e elenca uma série de vinhos que se bebiam no CTIG, eu conhecia todos, exceto o "Casal Mendes", que não me lembro de ver no meu tempo.

E naturalmente os Alvarinhos que já eram e são artigos de luxo, bebo quando mos oferecem, mas
não compro, até porque não sou apreciador de vinhos verdes, parece que me fazem azia, não os troco por maduros nrancos de qualidade, com graduação acentuada, e tintos obviamente.

O mais consumido por mim era o "Casal Garcia", que, ainda pós-desmobilização, bebia nos
dias muito quentes, mas tudo passa.

Na sequência no excelente trabalho inserto no Poste 27280, resolvi intervir com algo para mais conversa, senão a IA escreve tudo por nós e eu não sei defender-me!

Desde ainda criança começou a minha iniciação dos vinhos como tantos outros conhecem.
 
Estamos ainda em plena 2a guerra mundial, os bens escacionavam, o pequeno almoço eram as celebres "sopas de cavalo cansado": malga com broa desfeita ou casqueiro militar aos bocados; rega-se com vinho tinto, verde de pipa ou garrafão, adicionamos muito açúcar amarelo e depois é só comer.

 Não sei se fez bem ou mal, era o que havia!

E sempre bebia vinho às refeições, era de garrafão de vidro encestado.
 
Lembro me por exemplo, uma despedida de ano, talvez 59 ou 60, e num autocarro dos STCP, em plena Baixa Portuense, foi festejada a efeméride com garrafas de champanhe da conceituada marca  "Magos", uma garrafinha de 0,25

Sem direito a copo, que se abria com as cápsulas tipo cerveja e de águas do "Sameiro". Por isso nós, quando se falava dessa cápsula chamávamos de "Sameira".

Nas brincadeiras de jogar com elas, com enchimento de casca de laranja, e com os dedos fazer as corridas nas bermas dos passeios, sem sair das linhas até chegar o primeiro.

"Casal Mendes"
(passe a publicidade)
que eu náo conheci.
Foto: Vt (2025)

Que raio de brincadeiras que nem os Fulas ou Felupes as adoptaram. Não havia passeios, nem saneiras nem cascas de laranja, talvez.

O vinho que aqui se fala, o "Campelo", verde tinto e verde branco, faziam parte das bebidas de café. Encontrei 2 garrafas com rótulo original numa prateleira. A versão tinto e a versão branco que também a bebi na Guiné.
 

 O "Casal Mendes" não conheci, temos uma garrafa actual em foto, na prateleira de garrafeira. Nunca provei.

O vinho verde branco, bebe se fresco ou geladinho e não se nota defeitos. Nada como alguns vinhos Alvarinho, que são uma selecção à parte. "Palácio da Brejoeiro"  e outros.
 
Afinal não sou cliente de verdes!
 
Nunca vi uma vindima [excepto as que fazia por conta própria nos meus 10 anos nas videiras dos vizinhos]. Depois uma grande dor de barriga!
 
Abraços fraternos.(**)
 
Virgílio Teixeira
Em 2025 10 04

 PS - Nesta hora, ano 67,  já tinha feito o trajecto nos "barcos turra", e por estrda em coluna a caminho de Nova Lamego]. Já passaram 58 anos...




Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Dmingos, 1967 /69);  natural do Porto, vive em Vila do Conde.


______________

Notas do editor LG:


Vd. também postes de:

26 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27255: Felizmente ainda há verão em 2025 (39): Quem se lembra do vinho verde branco, "Gatão, em garrafa de cantil com argola, que depois servia para fazer candeeiros de mesa de cabeceira nos nossos "resorts" turísticos ?

20 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27232: Felizmente ainda há verão em 2025 (35): os vinhos verdes que aprendemos a gostar na guerra: Casal Garcia, Aveleda, Gatão, Três Marias, Lagosta, Palácio da Brejoeira (...sem esquecer o Mateus Rosé, da Sogrape)

11 de maio de 2015 > Guiné 63/74 - P14598: A bianda nossa de cada dia (5): Se a vida era boa em Lisboa, em Bissau nem tudo era mau... Do arroz de todas cores ao vinho verde alvarinho "Palácio da Brejoeira"... (Hélder Sousa)

11 de maio de 2015 > Guiné 63/74 - P14595: A bianda nossa de cada dia (4): Os nossos "chefs gourmet", lá no mato.. A fome aguçava o engenho... (Jorge Rosales / Manuel Serôdio / Vasco Pires)

9 de maio de 2015 > Guiné 63/74 - P14589: A bianda nossa de cada dia (3): o melhor casqueiro da zona leste, amassado e cozido em forno a lenha pelo Jacinto Cristina e pelo Manuel Sobral, no destacamento da ponte Caium... Mas nem só de pão viviam os homens do 3º Gr Comb, os "fantasmas do leste", da CCAÇ 3546 (Piche, 1972/74)

7 de maio de 2015 > Guiné 63/74 - P14584: A bianda nossa de cada dia (2): homenagem ao nosso cozinheiro Manuel, hoje empresário de restauração (Abílio Duarte, ex-fur mil, CART 2479 / CART 11, Nova Lamego, Paunca, 1969/1970)

5 de maio de 2015 Guiné 63/74 - P14574: A bianda nossa de cada dia (1): histórias do pão e do vinho... precisam-se!


(**) Último poste da série > 1 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27273: S(C)em Comentários (78): Na Guerra (tal como na Política) Não Vale Tudo... (António Rosinha / Cherno Baldé / Luís Graça)

sábado, 18 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27328: O vinho... pró branco de 2ª e pró tinto de 1ª (2): qual era a ração diária em campanha , no Ultramar ? Um copo à refeição, 2,5 dl por dia ? Se sim, uma companhia no mato (=160 homens) tinha um consumo médio mensal de 240 garrafões de 5 l... (Mas a capitação diária da ração de vinho, para os 3 ramos das Forças Armadas, foi fixada em 0,4 l, em 1975.)




Guiné > Zona Oeste > Região de Cacheu > São Domingos > CCS/BCAÇ 1933 > Novembro de 1968 > O alf mil SAM Virgílio Teixeira (o segundo a contar da esquerda), a ajudar a carregar (do barco para as viaturas)  garrafões de 5 litros de vinho, alguns dos quais têm o rótulo, perfeitamente reconhecível,  da Adega Cooperativa do Cartaxo.  Outra marca seria "Paladar" (será que ainda existe ?). Mas havia mais, de acordo os  rótulos, não legíveis.

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018) / Blogue Luís Graça & Caramadas da Guiné (2013). Todos os direitos reservados


1. Qual era a dose ou ração  diária de vinho de um soldado português em África durante a guerra colonial ? Um copo à refeição, 1 ou 2 decilitros ? E como era fornecido o vinho, pela Manutenção Militar, na Guiné-Bissau ? Em garrafões de 5 litros, 10 litros ou mais ? Ou em barris de 50 litros ? Ou em bidões (metálicos) de 210 ? Sabemos que havia problemas logísticos...


Esta pergunta foi  formulada há tempos (em 2018...) aos nossos camaradas do Batalhão de Intendência(BINT), o Fernando Franco (1951-2020) (falecido na pandemia, no IPO)  o João Lourenço,  o António Baia (ex-1º cabo aux, outero histórico do nosso blogue, juntamente com o Franco) (*)




João Lourenço, ex-alf mil
SAM,. cmdt  PINT
9288 (Cufar5, 1973/74);
mora na Figueira da Foz.
Aliás, náo era uma pergunta, eram quatro: adicionalmente interessava-nos saber se: 

(i)  o vinho levava aditivos (cânfora, por exemplo); 

(ii) era batizado, com "água do Geba";

 (iii)   havia alguma marca de vinhos conhecida,  como por exemplo, o "Cartaxo", distribuído em garrafões de 5 litros...

A questão da ração diária de um soldado na Guiné era importante para termos uma noção do consumo diário, mensal e anual de vinho:  

Dois copos / dois decilitros e meio por dia dava, a multiplicar por 160 homens=1 companhia, 40 litros por companhia, ou sejam, 8 garrafões de vinho de 5 litros... 

Ao fim do mês eram 240 garrafões, o que obrigava a uma logística complicada, em termos de transporte, armazenamento, gestão, etc...

 Ao fim do ano, uma companhia no mato consumia c. de 14600 litros (=146 hectolitros). Só em vasilhame era um quebra-cabeças. (Partimos do princípio que cada compmhia no mato era abastecida regularmente, o que na prática não acontecia...).

2. Só nos respondeu, em parte, o João Lourenço,  ex-alf mil SAM, cmdt do PINT 9288, Cufar (1973/74) (*):

 (...) "A cânfora é, quanto a mim, um mito.  E fui responsável pelo tacho, fui comandante de um PINT.

O vinho era fornecido pela MM [Manutenção Militar] em bidões de 215 lts, salvo erro, e usado assim mesmo, devido ao calor havia por vezes o hábito de usar um bidão sem a tampa onde eram colocadas barras de gelo feitas com água tratada e potável claro, o que dava sobras....

Havia algum controle para evitar grandes 'bubas'. Em especial em Bissau. No mato... dependia. (...) 


3. Vd. Decreto-Lei 329-G/75, de 30 de Junho:

 O Decreto-Lei 329-G/75, de 30 de Junho, veio atualizar e unificar as ementas e tabelas de rações dos militares dos 3 ramos das Forças Armas.

Algumas das normas alimentares ainda em vigor,  até então, nas Forças Armadas remontavam ao ano de 1926 (Decreto nº 12949, de 16 de dezembro de 1926).

No seu artigo 1.º do D.L. 329-GHH/75, de 30 de junhoo, obriga que a alimentação tenha valor nutritivo adequado e que as rações respeitam a composição e as quantidades que constam das tabelas anexas ao diploma.

A "capaitão diária de vinho" é de 0,4 l (e a da fruta, é de 250/300 gramas) (Tabela VII, anexa ao diploma).

Há ainda direito ao abono de um suplemento de alimentação quando o militar esteja de serviço, durante 4 ou mais horas, no período das 20h00 às 08h00. No que respeita ao vinho, esse abono é de 0,2 l.

Acresce ainda, no caso desse serviço ser de guarda, ronda ou patrulha ou equivalente, na "época fria" (sic), o direito a uma raçáo de aguardente no quantatitavo de 0,3 l por abonado. (Diários da República - Versão do cidadão).

Fernando Franco,
(1951-2020)
ex-1º cabo caixeiro,
PINT 9288 (Cufar, 1973/74),
um histórico da Tabanca Grande;
morava na Amadora

4. Recorde-se aqui o essencial da ficha de unidade do BINT (Batalháo de Intendència):

(i) o BlNT foi criado com base em Qaudro Orgânico aprovado por despacho ministerial de 21Nov63;

(ii) englobava uma Companhia de Intendência, uma Companhia de Depósito e os destacamentos de Intendência (4, em  Bissau, Tite, Bula e Bafatá, este depois instalado em Bambadinca, a partir de 2Jun66, e, mais tarde, outro pelotão instalado em Farim, a partir de 1Jan67);

(iii) era considerado  uma unidade da guarnição normal;

(iv) em 1Abr68, as funções da Companhia de Depósito passaram a ser executadas por um novo órgão, então criado, o Depósito Base de Intendência e a partir de 1Set68, o batalhão passou a ser constituído pelas subunidades designadas por Companhia de Intendência de A/D [Apoio Direto], C  , Companhia de Intendência de A/G  [Apoio Geral], e Pelotões de Intendência [PINT], , tendo ainda sido instalado outro pelotão em Cufar, a partir de 01Ago73, o PINT 9288;

(iv) fornecia  apoio logístico às unidades e subunidades em serviço na Guiné, efectuava a reparação dos meios de frio, máquinas de escritório e de bobinagem, entre outros, para o que dispunha também de equipas itinerantes;

(v) ministrava também instrução de formação de especialistas de intendência de padeiros, magarefes, caixeiros e outras;

(vi) mantinha ainda as reservas de combustíveis e lubrificantes e accionava o funcionamento dos centros de fabrico de pão e de abate;
.
(vii) em 140ut74, após entrega das instalações e equipamentos ao PAIGC, o batalhão foi desactivado e extinto;

(viii) não tem História da Unidade.

Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 6.º Volume - Aspectos da Actividade Operacional: Tomo II - Guiné - Livro I (1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2014), pp. 675/676

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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Giuiné 61/74 - P27254: Notas de leitura (1841): "O capelão militar na guerra colonial", de Bártolo Paiva Pereira, capelão, major ref - Parte I: Apresentação sumária (Luís Graça)


 Capa do último livro de Bártolo Paiva Pereira, padre da diocese de Braga, capelão militar, capelão-chefe do CTIG (1965/67); nascido em 1935, em Santo Tirso,  foi ordenado sacerdote em 1959, em Braga; foi capelão militar desde 1961, em Angola, e serviu nas Forças Armadas durante 30 anos (um caso raro de dedicação á Pastoral Castrense; é hoje major do exército na situação de reforma;  também exerceu o seu múnus espiritual no seio da diáspora portuguesa na Suíça; é autor de uma dezena de livros; vive em Vila do Conde, é vizinho e amigo do nosso camarada Virgílio Teixeira.

Esta última obra, que acaba de sair,  é edição de autor (Vila do Conde, 2025, 120 pp.). A capa é de Joaquim António Salgado de Almeida. Depósito legal nº 548769/25. Não tem ISBN. Impressão: Gráfica São João, Fajozes, Vila do Conde. 

O autor não tem endereço de email. Não sabemos se o livro está à venda. Nem como adquiri-lo.  Um exemplar autografado foi gentilmente oferecido ao nosso blogue. Agradecemos ao autor e ao Virgílio Teixeira, que no-lo enviou pelo correio. 

Oportunamente faremos mais notas de leitura. Esta é uma primeira apresentação. Para já temos a devida autorização para reproduzir excertos que possam interessar aos amigos e camaradas da Guiné.



Dedicatória autografada ao editor LG. Infelizmente o autor não conhece o nosso blogue.Mas registamos, com apreço, a oferta de um  exemplar do livro que iremos divulgar. Temos a sua autorização para o reproduzir no todo ou em parte. Interessa-nos particularmente a sua visão e o seu testemunho sobre o papel dos capelães militares durante a guerra colonial.

O capelão padre Bártolo Paiva Pereira (nascido em Lama, Santo Tirso, a 3 de setembro de  1935) conheceu o cap cav comando Carlos Matos Gomes (1946-2025), no Regimento de Comandos da Amadora, quando ali era capelão, a convite do então tenente-coronel, graduado em coronel, Jaime Neves (1936-2013). Já na altura era capelão graduado em major. Para um conhecimento detalhado do seu currículo militar, como capelão, vd. o portal UTW - Dos Veteramos da Guerra do Ultramar.



Índice da obra: demasiado descritivo e detalhado, ocupando 5 páginas e meia de uma obra que tem 120 pp., e é ilustrado com cerca de 2 dezenas de imagens.



Padre Bártolo Paiva Pereira
(n. 1935). Vive em Vila do Conde.
Foto: Virgínio Teixeira (2025)

1. No essencial, o livro, parcialmente autobiográfico e memorialístico, tem 6 capitulos: 1. Manhã de Todos os Santos: novembro de 1961; 2. Assistência religiosa às Forças Armadas; 3. O capelão  militar: perfis; 4. Ter uma Pátria na cabeça dói muito; 5. Pessoas & acontecimentos; e 6.  Para evangelizar não é preciso  aportuguesar.

O livro lê-se muito bem, num ápice. O autor escreve bem,  é expressivo, e tem uma excelente memória para quem já está na casa dos 90. Enviei anteontem, 23 do corrente, ao Virgílio Teixeira, uma primeira mensagem, que ele fará o favor de dar a ler ao nosso padre Bártolo:

Virgílio: fui levantar hoje o livro aos correios (na Lourinhã). Mas já estou em Alfragide. Fico-te muito grato pela gentileza. A ti e ao nosso capelão... Dei uma vista de olhos. Já percebi que o autor é pessoa lida, culta, experiente, viajada, frontal, inteligente...

Vou fazer várias notas de leitura (**) e reproduzir alguns excertos mais relevantes para a malta do blogue. É um testemunho imprescindível para a história 
da capelania militar. 

Tem, naturalmente, algumas inexatidões. Mas só vi por alto. Por exemplo, o padre Arsénio Puim, açoriano, capelão no meu tempo, em Bambadinca, só deixou o sacerdócio em 1979 (tenho que confirmar). Vou mandar alguns textos sobre ele, para o padre Bártolo o conhecer.

O Mário de Oliveira foi, sem dúvida, um homem e um padre mais polémico. Ainda ao tempo do Bártolo, e do gen Arnaldo Schulz. Depois de vir da Guiné, e antes de ir para a Lixa, foi pároco da freguesia onde se situa a nossa quinta de Candoz, Paredes de Viadores, Marco de Canaveses. Conheci-o no meu...casamento, no dia 7 de agosto de 1976. Lá em Candoz, já ele tinha saído desta paróquia.

Enfim, com tempo e vagar falaremos dos nossos capelães, todos eles estimados. O seu papel não era fácil. Dá os parabéns ao teu amigo, e nosso camarada. E que Deus lhe dê vida e saúde para poder continuar a escrever, a publicar e a partilhar connosco memórias de uma vida cheia. É um exemplo notável de como podemos continuar a caminhar na nossa picada da vida, a partir do km 90, de maneira ativa, proativa, produtiva e saudável. (...)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. postes de:


14 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27218 Efemérides (467): Homenagem do povo de Vila do Conde, no passado dia 9, ao Padre Bártolo Paiva Gonçalves Pereira, capelão-chefe no CTIG (1966/67) e autor do recente livro de memórias "O Capelão Militar na Guerra Colonial" (Virgílio Teixeira, ex-Alf Mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, 1967/69)

(**) Último poste da série > 22 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27241: Notas de leitura (1840): Mais perguntas do que respostas nestas fotografias em tempos de Império (Mário Beja Santos)

domingo, 14 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27218 Efemérides (467): Homenagem do povo de Vila do Conde, no passado dia 9, ao Padre Bártolo Paiva Gonçalves Pereira, capelão-chefe no CTIG (1966/67) e autor do recente livro de memórias "O Capelão Militar na Guerra Colonial" (Virgílio Teixeira, ex-Alf Mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, 1967/69)





Padre Bártolo  Paiva Pereira (n. 3 set 1935, Santo Tirso).
Foi capelão-chefe no CTIG (1966/67); 
é autor de diversas publicações, a última das quais o livro de memórias,
 "O Capelão Militar na Guerra Colonial" (2025).
 Vive em Vila do Conde.


1. Mensagem do Virgílio Teixeira, natural do Porto, a viver em Vila do Conde (foi alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

 
Data - terça, 9/09/2025 13:39  
Asunto - Homenagem ao nosso capelão-chefe no CTIG, Padre Bártolo (*)

Caros amigos,

Alguns aspectos da cerimónia de homenagem merecida ao nosso Padre Bartolo, nosso amigo, embora eu não corresponda com idas à missa, a minha mulher faz isso pelos dois.

A ordem (das fotos)  é aleatória, não tem critérios nenhuns.

Na minha apresentação do nosso Padre, esqueci um pormenor importantes, ele após o 25 de Abril, foi para Capelão nos Comandos da Amadora, tornando-se grande amigo do comandante Jaime Neves - já falecido - e no seu livro diz expressamente que foi o melhor militar, e que é "o seu herói" preferido.

Estive a ler a historia dos Capelães militares e a lista de todos e o Curriculum do Padre Bartolo.

Já sabia alguma coisa, mas agora sei muito mais.

Hoje não vou trabalhar mais nisto, porque o meu filho Bruno está a ser operado ao Joelho, e vamos estar ocupados.

Tinha já estas fotos, que envio, mas há mais.

Vila do Conde, 9 de setembro de 2025

Vt



Foto nº 1 > Vila do Conde > ) 9 de setembro de 2025 >  Aspecto geral do interior da igreja matriz. Ao fundo, o padre Bártolo a celebrar a missa


Igreja Paroquial de Vila do Conde / Igreja de São João Baptista IPA.00005249
Portugal, Porto, Vila do Conde, Vila do Conde

Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, renascentista. Igreja tardo-gótica de planta em cruz latina com 3 naves de diferente altura e cabeceira tripla, com portal axial manuelino, muito semelhante ao da Igreja de Azuaga na Estremadura espanhola. Torre sineira renascentista. As paredes que formam a nave central e a capela-mor, em toda a sua extensão, estão coroadas por duas ordens de merlões. Grande torre sineira quadrangular, impondo-se à frontaria e a toda a igreja pelo volume e quase ausência de ornamentação, com excepção para o balcão de balaústres assente em mísulas. Pia manuelina. Capela lateral inteiramente forrada a azulejo do séc. 17. O janelão voltado a O. mostra uma cena de Cristo de fortes efeitos cromáticos. Vitrais do princípio deste século executados em Paris, representando a vida de S. João Baptista. (Fonte: SIPA - Sistema de Informação para o Patrim+onio Arquitetctónicvo



Foto nº 2 >  Fachada da Igreja Paroquial de Vila do Conde / Igreja de São João Baptista, monumento nacional desde 1910.

 



Foto n º 3 > Panorama do histórico convento de Santa Clara, visto apartir do hotel Santana do outro lado do Rio Ave, no monte Santana, É o ex-libris da cidade, temn 700 anos de história, é um hotek de 5 estrelas, do grupo Lince.


Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de 7 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27194: Efemérides (466): Homenagem do povo de Vila do Conde ao Padre Bártolo Paiva Gonçalves Pereira, Capelão Militar em Angola, Guiné e Moçambique, a levar a efeito hoje, dia 7 de setembro (Virgílio Teixeira, ex-Alf Mil SAM)

domingo, 7 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27194: Efemérides (466): Homenagem do povo de Vila do Conde ao Padre Bártolo Paiva Gonçalves Pereira, Capelão Militar em Angola, Guiné e Moçambique, a levar a efeito hoje, dia 7 de setembro (Virgílio Teixeira, ex-Alf Mil SAM)

Virgílio Teixeira 
1. Mensagem do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM , CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69), com data de hoje, 7 de setembro de 2025:

Boa noite, Luís:

Lembrei-me agora desta homenagem que o povo de Vila do Conde vai fazer, hoje domingo, dia 7 de setembro, a uma figura ligada ao sacerdócio e nesta época em Vila do Conde.

O povo juntou-se e angariou 150 convivas para a sua homenagem, como homem bom, de fé, culto e amigo.

Fez 90 anos no dia 3 de setembro e hoje, dia 7, vai celebrar o seu aniversário e em especial uma homenagem ao padre em si.

É do concelho de Santo Tirso, foi incorporado no serviço militar como capelão. Passou 30 anos na tropa e 13 dos quais nos cenários de guerra. Está reformado como major graduado. É do meu tempo na Guiné embora nunca o tenha conhecido lá .Era capelão-mor no QG. Passou por Angola, Guiné e Moçambique, onde deixou obra feita.

Depois de 30 anos de tropa, reformou-se e esteve na Suíça outros 30 anos como sacerdote onde aprendeu muita coisa das vidas. É homem sem pergaminhos, aberto, conversado e de uma enorme cultura geral.

É nosso amigo, dá missa ainda aqui na Igreja do Desterro e é ele que preside a todas as cerimónias militares. Não se lhe conhecem convicções.

Vive sozinho aqui perto em zona de primeira, vive bem com boas reformas. Uma irmã vem fazer a sua sopa e ajudar na casa.

Tornámo-nos amigos de café onde passamos as tardes de domingo. Agora juntou-se outro casal amigo, o ex-alferes Alberto Leite,  da CHERET, de que já aqui foram publicados alguns excertos da sua vida.

Podemos falar à vontade de tudo,  ele sabe mais que nós todos.

Não há tempo para dizer muito mais, dos livros que escreve oferece sempre um exemplar com dedicatória, como este que junto umas fotos. O próximo a sair é sobre a mulher.

Os festejos começam com missa às 11h na Igreja Matriz, depois almoço no hotel Santana.
Seguidamente as celebrações na Matriz.

Não há nada de política, são causas espontâneas do povo. Nem apoio religioso. Embora esteja também inscrito, o padre da paróquia, por sinal não se dão bem. São gerações com 45 anos de diferença. O padre mestre é um pretensioso que ninguém vai à sua bola, as pessoas fogem dele, de origem burguesa que só usa tudo de marca e luxo.

Caso interesse, esta referência no blogue fica ao teu cuidado.
Boas vindimas.

Um abraço
Virgílio

2. Comentário do editor LG:

O padre Bártolo Paiva Pereira é o n.º 28 da lista dos 102 capelães que serviram o exército, no CTIG, entre 1961 e 1974. (Houve mais 7 na Força Aérea e 4 na Marinha; no total, 113.) E foi um dos quatro que exerceu funções de capelão-chefe. 

Esteve no CTIG em 1966/67. Aproveitamos para lhe mandar um "balaio" de parabéns e votos de saúde e alegria, por ocasião do seu 90º aniversário, em nome dos editores e dos demais amigos e camaradas da Guiné.  

Fica convidado a integrar a nossa Tabanca Grande, tendo como padrinho o seu amigo, vizinho e camarada Virgílio Teixeira. Gostaríamos de poder reproduzir alguns excertos do seu livro. E, se possível, ter acesso a um exemplar. Que Deus, Alá e os bons irãs o protejam!
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Nota do editor

Último post da série de 19 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27133: Efemérides (465): 21 de Julho, Dia da Arma de Cavalaria, comemorado em 1970, em Nova Sintra, com rabanadas (Aníbal José da Silva, ex-Fur Mil Vagomestre)